# Calila das Mercês lança livro e celebra literatura do interior

> Calila das Mercês lança Nódoa, primeiro romance da escritora, e atua como curadora da 4ª Fliparacatu, festival literário realizado de 26 a 30 de agosto em Paracatu (MG). A obra e a curadoria reforçam a produção literária do interior mineiro, ampliando o alcance de vozes regionais no cenário nacional.

*Zipflix · Análises e Críticas · 31 de agosto de 2026 · Priscila Tavares Nunes*

Calila das Mercês lança Nódoa, seu primeiro romance, e celebra a literatura feita no interior como curadora da 4ª Fliparacatu, de 26 a 30 de agosto, em Paracatu (MG).

Calila das Mercês, pesquisadora, jornalista e escritora, lança Nódoa, seu primeiro romance, pela Companhia das Letras, e celebra a literatura feita no interior como uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário de Paracatu (Fliparacatu), em Minas Gerais. O evento acontece de 26 a 30 de agosto de 2026, no Centro Histórico da cidade, com entrada gratuita.

A escritora assina a curadoria ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador e presidente do festival. Neste ano, o tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo propõe uma conversa entre dois pensadores do Brasil profundo: Milton Santos, cujo centenário foi comemorado em maio, e João Guimarães Rosa, que apresentou Grande Sertão: Veredas há 70 anos. Calila fala com carinho dos livros de Guimarães Rosa: Grande Sertão ela chama de "fabuloso", e Campo Geral, de 1956, a deixou "muito emocionada". Com Milton, ela divide o lugar, o território e o interior da Bahia.

"A gente está homenageando também meu conterrâneo, que é o Milton Santos, que marcou sua existência, no Brasil e no mundo, trazendo discussões que nos são muito caras. Sobre a questão do nosso lugar, mas também sobre como a gente pode pensar o território sem engessar", afirma.

A escritora, que já assinou eventos literários em Cachoeira (BA) e em Cavalcante (GO), celebra a realização desses encontros pelo interior do Brasil. Ao mesmo tempo, demonstra preocupação com o manejo dessas festas e com o risco de que se tornem palanques políticos, festas com "donos", que ditariam como a literatura deve adentrar esses locais. "Acho que o grande desafio é a gente produzir uma ideia de que o pensamento não chega de fora. Ele não, necessariamente, chega dos grandes centros", diz.

Entre os nomes que passam por Paracatu este ano estão Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Paulliny Tort e Renato Nogueira.

Nódoa, lançado em julho, é narrado por Regina e por Lurdes Maria. O livro foi todo escrito em movimento, como lembra Calila: "Eu escrevi dentro do ônibus, eu escrevi em uma rodoviária, escrevi no barulho, escrevi com mudança". A obra também é pensada na forma, na materialidade da escrita, em maiúsculas e minúsculas, para traduzir cada personagem. "Uso muito silêncio nas páginas", completa.

Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano, duas geografias interioranas que compõem essa minha primeira relação com a literatura", conta Calila, que viu sua escrita germinar após quatro visitas ao rio São Francisco e ao maior cajueiro do mundo. A aposta da semana fica com Nódoa, um romance que carrega referências do interior sem perder a radicalidade. Se sobrar tempo, vale acompanhar a programação da Fliparacatu, que promete integrar vozes de diferentes sotaques.

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