# Caminhos da Reportagem destaca a vida e o legado de Tia Ciata na TV Brasil

> O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, destaca a vida e o legado de Tia Ciata, matriarca do samba. Hilária Batista de Almeida, referência na cultura negra brasileira, é retratada em edição que aborda desde a imagem pública até o patrimônio cultural deixado pela figura histórica.

*Zipflix · Análises e Críticas · 27 de julho de 2026 · Leandro Fioravante*

O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta na segunda-feira (27), às 23h, a edição Tia Ciata: a matriarca do samba. A atração narra a vida e o legado de Hilária Batista de Almeida, referência na cultura negra do Brasil, abordando desde sua imagem até o patrimônio 

O programa premiado Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibe na segunda-feira (27) uma edição especial sobre a vida e o legado de Tia Ciata. O episódio, intitulado "Tia Ciata: a matriarca do samba", vai ao ar às 23h, na emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O Caminhos da Reportagem tenta apontar e responder os pontos de interrogação a respeito de Tia Ciata. Uma dessas questões é a verdadeira imagem de Hilária Batista de Almeida. A historiadora e pesquisadora Angélica Ferrarez, que há anos se dedica ao estudo das "tias do samba", defende que o retrato feito na Bahia pelo fotógrafo alemão Rodolpho Lindemann não poderia ser de Ciata em função da data em que a foto foi tirada. Hilária mudou-se para o Rio de Janeiro aos 22 anos, em 1876, onde viveu até sua morte, em 1924. A fotografia teria sido tirada quando ela já estava no Rio.

"A gente tem algumas imagens que fazem referência a Tia Ciata, mas infelizmente a gente ainda não tem o rosto, sabe? A foto que represente essa figura central na história do Brasil, na história do Rio de Janeiro, na história social do samba", afirma Angélica.

Já a bisneta e presidente da Casa de Tia Ciata, Gracy Mary Moreira, argumenta que a bisavó viajava frequentemente para a Bahia por ser "mãe pequena" no terreiro de João Alabá, famoso babalaô africano e fundador do primeiro terreiro de candomblé do Rio de Janeiro. "Ela também cuidava de especiarias", comenta. Gracy destaca ainda o processo para verificar sua hereditariedade a partir da famosa foto de Lindemann. "O antropólogo forense fez essa pesquisa junto com outras imagens e com fotos também do meu pai e da minha irmã", lembra.

O número de descendentes de Tia Ciata, bem como o patrimônio acumulado pela família, é outra brecha desse passado. O inventário de Hilária, de posse do acervo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, menciona que quatro filhos repartiram a quantia de três contos de réis após o falecimento. "A gente sabe que era uma riqueza econômica que deu certa estabilidade para a família de Tia Ciata", diz Jéssica Costa, pesquisadora do Arquivo do Tribunal.

A importância da casa da Praça Onze é um dos principais destaques do programa. É no afamado quintal, na extinta Rua Visconde de Itaúna, que Ciata, possivelmente, participa do nascimento da composição de Pelo Telefone, primeiro samba registrado no país, em 1916, por Donga e Mauro de Almeida. "A casa dela era um núcleo da maior relevância da cultura do Rio de Janeiro, tanto do ponto de vista da religião como do ponto de vista da música popular urbana que estava se formando", analisa o escritor e historiador Luiz Antônio Simas. A planta do imóvel é reconstituída pela arquiteta Luciana Mayrink, a partir de layout e fachada comuns à época. "As manifestações religiosas, elas aconteciam no terreiro que ficava localizado no fundo do terreno. O samba também acontecia na frente do galpão, que é o quintal", explica. "Então, esse quintal é um quintal protegido", finaliza.

A influência de Ciata e de outras tias ilustres (tia Carmem, tia Amélia e tia Perciliana são alguns exemplos) se perpetua até a atualidade. Esse paralelismo fica claro na visita ao Cafofo da Tia Surica, em Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro. Assim como na casa de Ciata, a cantora e matriarca da Portela é conhecida pelas festas com roda de samba no quintal. "Nós não vamos ser eternos. Então, os que estão vindo agora que deem continuidade. Porque dizem que o samba morre. O samba não morre, nem agoniza", reflete Surica.

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileiras mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site e no YouTube da emissora pública. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site.

## Perguntas Frequentes

### Quando vai ao ar o programa Caminhos da Reportagem sobre Tia Ciata?

Na segunda-feira (27), às 23h, na TV Brasil.

### O que o episódio aborda sobre Tia Ciata?

A vida e o legado de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, incluindo sua imagem, patrimônio e influência cultural.

### Quem são as fontes entrevistadas no programa?

A historiadora Angélica Ferrarez, a bisneta Gracy Mary Moreira, a pesquisadora Jéssica Costa, o historiador Luiz Antônio Simas, a arquiteta Luciana Mayrink e a cantora Tia Surica.

### Onde posso assistir ao programa depois da exibição?

No site e no YouTube da TV Brasil, além do aplicativo TV Brasil Play.

### Qual a importância da casa de Tia Ciata na Praça Onze?

No quintal da casa, possivelmente nasceu o primeiro samba registrado, Pelo Telefone, em 1916.

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Fonte (canonical): https://zipflix.com.br/analises-e-criticas/caminhos-reportagem-destaca-vida-legado-tia-ciata/
