# Evento de arte e tecnologia alfineta com bordado e IA

> A instalação Bordaduras, de Regina Silveira, cobre 530 m² dos vidros do Sesi Lab, em Brasília, e abre o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia. O evento reúne artistas e pesquisadores para discutir o uso da inteligência artificial nas artes até domingo (20), propondo reflexões sobre tecnologia, bordado e criação contemporânea.

*Zipflix · Análises e Críticas · 15 de setembro de 2026 · Rodrigo Bianchi*

Instalação Bordaduras, de Regina Silveira, cobre 530 m² dos vidros do Sesi Lab, em Brasília. Obra abre o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que discute o uso da IA nas artes até domingo (20).

A instalação Bordaduras, da artista plástica Regina Silveira, de 87 anos, foi aberta à visitação nesta terça (15) nos vidros do Sesi Lab, na área central de Brasília. São 530 metros quadrados de vinil adesivo com imagem de agulhas e bordados em ponto de cruz inacabados. A obra integra o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que reúne 41 artistas de diferentes regiões do País no Sesi Lab e no Museu Nacional de Brasília até domingo (20).

A instalação Bordaduras, de Regina Silveira, cobre 530 m² dos vidros do Sesi Lab, em Brasília, com agulhas e bordados em ponto de cruz inacabados. A obra abre o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que discute a interferência da IA nas artes até domingo (20).

Para os pais que pensam em levar as crianças, o evento é gratuito e tem classificação livre. O tema, porém, pede mediação: a obra trata de alfabetização feminina no Pré-Renascimento e de distorção de objetos cotidianos, assuntos que podem precisar de contexto para os menores. A agulha gigante nos vidros prende a atenção dos pequenos; a conversa sobre IA interessa mais aos adultos.

Regina Silveira é professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) e tem carreira internacional. Ela explica que os bordados estão historicamente ligados à alfabetização das mulheres no Pré-Renascimento, quando elas bordavam letras em enxovais. "No meu percurso, os bordados em pontos de cruz completos ou malfeitos se conectam ao repertório de padrões gráficos que venho utilizando desde o novo milênio com o suporte de meios digitais", diz. Os pontos incompletos, segundo ela, remetem à ideia de processo em execução. A artista classifica a obra como feminista por natureza.

Sobre a inteligência artificial, Regina Silveira evita o tom apocalíptico. Para ela, as tecnologias atuam com repertórios e memórias já existentes. "Nesse sentido, ela pode ajudar, mas não pode ajudar a criar ou a pensar." A invenção, diz, é própria do cérebro humano, uma conexão inesperada entre dados já incorporados, e não inspiração que cai do céu. Ela afirma nunca ter tido posição negativa em relação às tecnologias e defende que os jovens aprendam primeiro a manejar a linguagem, porque "os meios estão subordinados às linguagens".

A artista e professora Suzete Venturelli, uma das coordenadoras do evento, concorda que nada substitui a criatividade humana. Ela relata que muitos alunos resistem ao uso de tecnologias generativas e que o banco de dados empregado tem viés racista e eurocêntrico. Para ela, é preciso educar para o bom uso da IA, privilegiando a criatividade.

Do lado de dentro do museu, um painel de LED exibe Dígito, obra que Regina Silveira criou nos anos 1980. A artista faz a palestra inaugural do encontro. Na porta, o professor de circo tocantinense Gabriel Coelho, de 21 anos, ensaiava com malabares de pinos coloridos e lembrou que aprendeu a costurar e a fazer crochê com a mãe. "Eu arrumo todas as minhas roupas e calçados. Sou palhaço também. Lembrei, quando vi essa imagem, que desestresso com agulha e linha, e fico mais longe do celular."

Quem tem filhos pequenos pode começar pela obra nos vidros, que se lê da calçada em poucos minutos. Para os adolescentes da casa, as palestras sobre IA e criação são o gancho mais direto. classificação indicativa de eventos culturais em Brasília

---

Fonte (canonical): https://zipflix.com.br/analises-e-criticas/evento-arte-tecnologia-alfineta-bordado-reflete-sobre-ia/
