Crítica · Análises e Críticas

Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha

ResumoO Festival Caju de Leitores, em sua 5ª edição, ocorre de 2 a 4 de setembro na Aldeia Xandó, TI Barra Velha. O evento fortalece a leitura e a escrita entre estudantes indígenas, com o tema Manifesto de Bichos. A programação inclui autora estrangeira e livraria, ampliando o acesso literário na comunidade.

A 5ª edição do Festival Caju de Leitores acontece de 2 a 4 de setembro na Aldeia Xandó, TI Barra Velha. O evento fortalece leitura e escrita entre estudantes indígenas, com tema Manifesto de Bichos e novidades como autora estrangeira e livraria.

Priscila Tavares Nunes
Priscila Tavares Nunes Redatora de Lançamentos e Estreias · 26 de agosto de 2026
Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha
8.8/10
VereditoA 5ª edição do Festival Caju de Leitores acontece de 2 a 4 de setembro na Aldeia Xandó, TI Barra Velha. O evento fortalece leitura e escrita entre estudantes indígenas, com tema Manifesto de Bichos e novidades como autora estrangeira e livraria.

A 5ª edição do Festival Caju de Leitores vai ocupar a Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA), entre os dias 2 e 4 de setembro. O evento, que nasceu em 2022, tem como objetivo melhorar as habilidades de leitura e escrita dos estudantes indígenas, público que cresceu desde o ano 2000, quando instituições de ensino começaram a surgir na região, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o IFBA de Porto Seguro e a Escola Técnica Estadual (Etec).

A diretora-geral do festival, Joanna Savaglia, explicou à Agência Brasil que a demanda veio da necessidade de preparar os alunos para processos seletivos. "Os estudantes precisam de redação e da compreensão de texto para poder vencer a dificuldade do vestibulinho", afirmou. A meta é dar ferramentas para que os jovens não fiquem presos ao território: "Teu pai quer que você seja advogado? Então, vai estudar, mas saiba que tem que ter interpretação de texto, tem que saber escrever. Foi com essa intenção que o Caju nasceu".

Este ano, o tema é Manifesto de Bichos, com a fauna como fio condutor de atividades de literatura, oralidade e memória. "A fauna vai estar inteira dentro da programação, falando de bichos, basicamente", disse Joanna. A proposta dialoga com as narrativas e os conhecimentos do povo Pataxó, envolvendo escritores, artistas, educadores e lideranças indígenas.

A programação é gratuita e aberta a todas as idades. "Quando se faz um evento para esse público, vai pai, mãe, avô, avó, filho, gato, cachorro. Então, é sempre para todo mundo", completou a diretora. Entre as novidades de 2026, o festival traz pela primeira vez uma autora estrangeira, a indígena argentina Mariela Tulián, além de uma livraria, loja e espaço de alimentação.

A edição homenageia Maria Coruja, de 91 anos, da Aldeia Pará, guardiã das tradições orais Pataxó. Desde a criação, o Caju já alcançou mais de 12 mil pessoas. O nome vem do acrônimo de Caraíva Juvenil, e a fruta, no tupi-guarani (acayu), significa "noz que se produz". O evento é realizado pelo Ministério da Cultura e pela Savá Cultural, com patrocínio da Neoenergia e do Itaú via Lei Rouanet. literatura indígena eventos culturais na Bahia

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