# Filme sobre ditadura paraguaia vence Bonito CineSur

> O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso?, baseado no livro de Guido Rodríguez Alcalá, venceu o Bonito CineSur. A obra aborda o assassinato de Bernardo Aranda, em 1959, e os números da ditadura de Stroessner. A produção cinematográfica paraguaia conquistou o prêmio principal do festival de cinema sul-americano.

*Zipflix · Análises e Críticas · 03 de agosto de 2026 · Natália Couto*

O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso?, baseado no livro de Guido Rodríguez Alcalá, venceu o Bonito CineSur. A obra aborda o assassinato de Bernardo Aranda, em 1959, e os números da ditadura de Stroessner.

## Filme sobre a ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur

O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi escolhido pelo júri oficial como o grande vencedor da categoria de melhor longa sul-americano do festival de cinema Bonito CineSur. A cerimônia de encerramento aconteceu na noite de sábado (1º) no Centro de Convenções, em Bonito (MS). A obra, dirigida por Marcelo Martinessi, é baseada no livro Narciso, escrito pelo jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá.

O longa é inspirado no assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959. Aranda era locutor de rádio homossexual, amava o rock and roll e foi queimado enquanto dormia. O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar.

## O que o filme revela sobre a ditadura de Stroessner

O governo militar comandado pelo general Alfredo Stroessner é considerado a ditadura mais longa da América do Sul. Durante os 35 anos em que permaneceu no poder, o regime promoveu quase 20 mil prisões arbitrárias ou ilegais, 59 execuções, 336 desaparecimentos e torturou quase 19 mil pessoas, segundo dados divulgados em 2003 pela comissão. Além disso, 3.470 pessoas precisaram ser exiladas.

Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBT+, como Aranda. O filme, portanto, não é apenas uma reconstituição histórica, mas um retrato de uma violência sistemática que atingiu minorias de forma desproporcional.

## A reação do elenco e a mensagem para o presente

O ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema, celebrou o prêmio com emoção. "De verdade, este prêmio proporciona um desfecho mais do que lindo", disse. "Todos queremos colaborar e continuar contando histórias. Valorizamos nossas narrativas e acreditamos que é preciso contá-las e mostrá-las ao mundo."

Em entrevista à Agência Brasil logo após a premiação, Romero reforçou que é preciso contar a história sobre as ditaduras sul-americanas para que elas jamais voltem a se repetir.

"Dizemos que a ditadura terminou há vários anos, mas não somente sentimos que há indícios de que ela segue entre nós, como também estamos começando a ter certos sinais no mundo para os quais temos que estar alertas. Então, este é o momento de abrir os olhos e nós, através do cinema, vamos fazer com que isso não chegue novamente no futuro", destacou.

## Alejandro Calderón leva três estatuetas

Outro grande premiado da noite foi o diretor colombiano Alejandro Calderón, que levou três estatuetas para casa. O primeiro troféu veio por Hipopótamos, el Arca de Escobar, selecionado como melhor curta-metragem de cinema ambiental pelo júri.

Além disso, ele conquistou mais duas estatuetas pelo longa-metragem Páramos II: El Origen, escolhido tanto pelo público quanto pelo júri oficial como o melhor filme de cinema ambiental. No documentário, Calderón reúne um grupo de especialistas para explicar a formação desses ecossistemas e sua importância para o ciclo hídrico, citando os riscos que esse bioma corre por causa da exploração de seus recursos para a mineração, a monocultura e a pecuária.

"Isso é incrível [ser premiado]. Sinceramente, nunca imaginei que isso aconteceria. Estou muito empolgado e isso é também uma recompensa pelos anos de esforço da equipe viajando pela Colômbia, atravessando montanhas, páramos e rios, enfrentando muitas dificuldades e perigos, pois esse é um trabalho de alto risco", disse ele à reportagem.

Ao receber os prêmios, Calderón prestou uma homenagem especial a 150 ativistas ambientais colombianos assassinados nos últimos três anos. "A Colômbia é o país com o maior número de assassinatos de líderes ambientais, pessoas que dependem do meio ambiente", citou ele, ao discursar.

"Muitos dos diversos líderes ambientais retratados em nossos filmes sofreram ameaças e alguns deles nos pediram para que déssemos mais visibilidade ao seu trabalho. Eles encaram a visibilidade como uma forma de proteção: em vez de permanecerem ocultos, querem que o mundo saiba quem são e o que fazem", disse o diretor à reportagem.

## Números e alcance do Bonito CineSur

Na quarta edição, o Bonito CineSur apresentou 32 filmes de dez países sul-americanos entre curtas e longas. Além disso, o festival promoveu aulas, debates, atividades de formação, encontros com realizadores e sessões especiais em homenagens à atriz Paulina Garcia e aos cineastas Vincent Carelli e Luiz Puenzo.

## A visão do diretor do festival para o futuro

Para as próximas edições, destacou o diretor do festival Nilson Rodrigues, a expectativa é conseguir reunir ainda mais países sul-americanos, de modo que se forme um bloco para produção e divulgação audiovisual.

"Nós precisamos ser um bloco, precisamos criar condições para circular os nossos produtos entre nossos vizinhos. Se a Europa se transformou em um bloco, quando circulam produtos, pessoas e a economia se desenvolve, nós também haveremos de ser um bloco, na América do Sul", disse ele, durante a cerimônia de premiação.

"O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem nós queremos trazer aqui para o festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais", acrescentou Rodrigues.

## Perguntas Frequentes

### Qual filme venceu o Festival Bonito CineSur 2026?

O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso?, dirigido por Marcelo Martinessi, venceu a categoria de melhor longa sul-americano no Bonito CineSur.

### Sobre o que é o filme ¿Quién Mató a Narciso?

O filme é baseado no livro Narciso, de Guido Rodríguez Alcalá, e aborda o assassinato do locutor de rádio homossexual Bernardo Aranda, em 1959, durante a ditadura paraguaia.

### Quem mais foi premiado no Bonito CineSur?

O diretor colombiano Alejandro Calderón levou três estatuetas, por Hipopótamos, el Arca de Escobar e Páramos II: El Origen.

### Quantos filmes foram exibidos no festival?

Foram apresentados 32 filmes de dez países sul-americanos entre curtas e longas.

### Onde aconteceu o Bonito CineSur?

A cerimônia de encerramento foi realizada no Centro de Convenções, na cidade de Bonito (MS).

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