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Livro com textos de Pierre Verger é lançado em SP

ResumoO livro Iorubahia reúne 12 ensaios de Pierre Verger, quatro deles inéditos, sobre as relações entre a Bahia e a África Ocidental. A obra, que também aborda a atuação de Verger além da fotografia, será lançada nesta quarta-feira (16) em São Paulo.

Conhecido como fotógrafo, Pierre Verger também estudou as relações entre Bahia e África Ocidental. O livro Iorubahia reúne 12 ensaios, 4 inéditos, e será lançado nesta quarta-feira (16) em São Paulo.

Leandro Fioravante
Leandro Fioravante Analista de Mercado de Streaming · 16 de setembro de 2026
Livro com textos de Pierre Verger é lançado em SP
7.4/10
VereditoConhecido como fotógrafo, Pierre Verger também estudou as relações entre Bahia e África Ocidental. O livro Iorubahia reúne 12 ensaios, 4 inéditos, e será lançado nesta quarta-feira (16) em São Paulo.

Mais lembrado no Brasil como fotógrafo, Pierre Verger dedicou boa parte da vida a estudar as relações entre a Bahia e a África Ocidental, a diáspora africana, a religião dos orixás e as tradições orais da cultura iorubá. Esse outro Verger chega às livrarias em Iorubahia - Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim, que será lançado nesta quarta-feira (16) em São Paulo.

A obra reúne 12 ensaios do autor, 4 deles inéditos, escritos entre 1958 e 1972, período em que viveu entre Salvador e a Nigéria e mergulhou na pesquisa sobre o povo Iorubá. A publicação é uma parceria do Instituto Çarê com a Fundação Pierre Verger. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes.

A coletânea foi organizada em três eixos: os aspectos históricos das relações transatlânticas, a religião Iorubá e a cultura, conhecimento e oralidade Iorubá. A organizadora da obra e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, Ângela Lühning, explica que a proposta é apresentar um Verger múltiplo.

"Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única do Verger, apenas fotógrafo ou apenas escritor voltado para temáticas históricas, o Verger, supostamente, apenas dedicado a estudos sobre o Candomblé e religião afro-brasileira de influência Iorubá. O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos", afirmou.

Pierre Fatumbi Verger nasceu em Paris em 1902 e começou a carreira como fotógrafo viajante. Em 1946 mudou-se para Salvador, cidade que nunca deixou de fazer parte de sua vida até sua morte, em 1996. Especializou-se em fotografia documental e de campo nas áreas de antropologia, história, conhecimentos orais e botânica, e se tornou um estudioso reconhecido da cultura iorubá.

Para quem acompanha a produção editorial sobre diáspora e religiosidade afro-brasileira, o lançamento interessa menos pelo nome na capa e mais pelo que os textos raros revelam sobre a rede de pesquisas entre Brasil e golfo do Benim. É material de arquivo, não de vitrine.

Verger costuma ser lembrado pelas imagens que fez em Salvador e em viagens pela África. A publicação desloca o foco para a escrita e para o trabalho de campo que sustentou suas fotografias. Os ensaios atravessam quase 15 anos de observação e convivência, e a divisão em três eixos ajuda o leitor a perceber como história, religião e oralidade se entrelaçam na obra do autor.

O lançamento em São Paulo também sinaliza o interesse contínuo de instituições culturais pela produção de Verger. A parceria entre o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger coloca lado a lado um centro de pesquisa e o acervo que preserva a memória do autor, o que costuma render edições com aparato documental mais cuidadoso. Para o leitor, o resultado é acesso a textos que circularam pouco ou nunca foram publicados em livro.

A tendência, no mercado editorial de ciências humanas, é que obras de arquivo ganhem espaço conforme o público passa a buscar fontes primárias em vez de sínteses. Iorubahia se encaixa nesse movimento, mas depende de leitura atenta: são ensaios escritos em outro contexto acadêmico, com vocabulário da época. Quem espera um panorama introdutório pode estranhar; quem procura material de pesquisa encontra um Verger menos conhecido e mais denso do que a fama de fotógrafo sugere.

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