Crítica · Análises e Críticas

Mestres da cultura popular evocam tradição a novos públicos

ResumoFrancisca Dias, a Rainha Ginga Preta, e Tião Carvalho participaram do Encontro de Mestres em Brasília, evento que reuniu lideranças da cultura popular para evocar tradições a novos públicos. O encontro destacou a transmissão de saberes ancestrais, como danças, cantos e rituais, como ferramenta de resistência e renovação cultural. A programação incluiu apresentações, rodas de conversa e oficinas, reforçando o papel dos mestres na preservação do patrimônio imaterial brasileiro.

Francisca Dias, a Rainha Ginga Preta, e Tião Carvalho destacam a força da cultura popular no Encontro de Mestres em Brasília. Saiba detalhes do evento.

Priscila Tavares Nunes
Priscila Tavares Nunes Redatora de Lançamentos e Estreias · 29 de agosto de 2026
Mestres da cultura popular evocam tradição a novos públicos
7.9/10
VereditoFrancisca Dias, a Rainha Ginga Preta, e Tião Carvalho destacam a força da cultura popular no Encontro de Mestres em Brasília. Saiba detalhes do evento.

A expressão "alumiar em vida" traduz o que é assumir a coroa de rainha do congado do Maçambique de Osório, manifestação da comunidade quilombola do Morro Alto, no litoral norte gaúcho. Neste sábado (29), às 20h, no Conic, em Brasília, a rainha e mestra Francisca Dias, 65 anos, e mais 19 músicos do quilombo sobem ao palco do Encontro de Mestres da cultura popular, com entrada gratuita. O evento começou na quinta-feira (27) e se encerra neste sábado.

Francisca Dias, conhecida como Rainha Ginga Preta, explica que o maçambique é uma congada gaúcha de matriz africana bantu, mantida na região desde o século 19. "São as mesmas roupas e músicas desde sempre", diz. A comunidade produz tudo, inclusive os instrumentos, como a maçacaia, cestinho de taquara com sementes de caetés. A fé católica enaltece Nossa Senhora do Rosário. "A bandeira é muito sagrada para a gente", afirma. A rainha entende que a arte ensina contra preconceitos, incluindo o racismo: "A gente prepara também as nossas crianças para se defenderem com palavras".

Segundo o curador Anderson Formiga, há artistas de 11 estados e do Distrito Federal na programação. "A gente tentou formar um mosaico de cultura popular, que é muito negro, mas que também tem um pé nas origens europeias e outras indígenas", disse. Além dos palcos, o evento oferece oficinas. Formiga defende encantar os jovens: "O jovem precisa ser encantado".

O mestre maranhense Tião Carvalho, 71 anos, fundou o grupo Cupuaçu e mistura samba, coco, bumba-meu-boi, forró e baião. Professor na educação básica, ele pede políticas públicas: "É preciso que o Brasil valorize mais a cultura tradicional". A celebração do maçambique neste ano ocorre em 24 de setembro, não no dia 7, por causa das eleições. O quilombo tem 1.750 famílias. A mãe de Francisca, Severina Dias, última rainha, morreu em 7 de outubro de 2016, dia de Rosário, e pediu à filha que mantivesse a tradição viva. festivais de cultura popular no Brasil

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