Morre, em Salvador, o poeta e ativista Luis Turiba aos 76
Morreu ontem (25), em Salvador, o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba. Aos 76 anos, ele estava em casa quando sofreu complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações sobre velório e enterro.
Morreu ontem (25), em Salvador (BA), o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba. O escritor morreu em casa, aos 76 anos, devido a complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações acerca do velório e enterro.
A obra de Turiba atravessa poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção Bico da Torre, musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e por Célia Porto. Flamenguista, deixou em Luminares (1983) um manual de despedida irônico, despojado e afetuoso: "Coloquem Imagine na vitrola / retirem-lhe o coração em frangalhos / e enterrem-no enrolado na bandeira do Flamengo / Quanto ao resto / corpo, subproduto da vida / qualquer cerimônia (simples) cabe / Afinal a morte é sempre um gol de placa / aos 45 minutos / do segundo tempo da existência / No mais: foi bom ponta-de-lança / Comemorem pois nada disso lhe pertence mais."
Luiz Artur Toribio, ou simplesmente Turiba, nasceu no Recife (PE), em 1950, e mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se tornou militante do movimento estudantil. Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi impedido de terminar os estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) durante a ditadura civil-militar (1964/1985). Prestes a completar 18 anos, foi preso por determinação da Justiça Militar, condenado a seis meses de prisão por alegada participação em "atividades subversivas". Segundo ele, ao ser detido, agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação, Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército, o torturaram física e psicologicamente.
Lançou seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, em 1977. Ainda no Rio, conseguiu emprego como repórter, com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais. Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a documentação que reuniu comprova perseguição por razões políticas, com monitoramento pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Entre 1985 e 2022, Turiba editou, em Brasília, a revista cultural Bric-a-Brac, que entrevistou intelectuais e artistas como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nise da Silveira e Manoel de Barros. Após anos como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se à literatura. Vivendo em trânsito entre Rio, Salvador e Brasília, amigos se mobilizam para homenageá-lo neste sábado (29), à tarde, no bar e restaurante Beirute, em Brasília, com leitura de seus poemas. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou o falecimento, chamando-o de "ícone inestimável da nossa imprensa e da cultura local", e expressou solidariedade aos filhos, netos, familiares e amigos.