# Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

> O Museu do Pontal, instituição carioca dedicada à arte popular brasileira, superou enchentes históricas e consolidou seu papel educativo ao preservar um acervo de mais de 8 mil obras. Em 2026, o espaço celebra 50 anos com nova sede e programação especial, reafirmando a importância da cultura popular como patrimônio nacional.

*Zipflix · Análises e Críticas · 31 de agosto de 2026 · Natália Couto*

Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular. Em 2026, o espaço celebra 50 anos com nova sede e programação especial.

O Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular. Em 2026, o espaço celebra meio século de fundação, colhendo os frutos de um trabalho que deixou para trás as frequentes inundações da antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes. A construção de condomínios nos arredores deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água tornou-se constante mesmo após uma grande reforma em 2009.

"Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura", relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque à Agência Brasil. Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos paralisou as obras por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, com até 1 metro de água nas instalações internas.

Sem recursos para reparar os danos, o museu se salvou por meio de uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas com doações. "Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também. Tudo tem os dois lados", afirmou. No meio do caminho, a pandemia de covid-19 não parou o museu: os diretores realizaram encontros virtuais com artistas de vários estados, um alívio em tempos de reclusão.

Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca, com o conceito Museu Praça, um lugar de encontro e convivência, com diálogo permanente entre artes plásticas populares e manifestações de dança e música. "Um lugar com exposições mudando a todo momento, que tivesse espetáculos, oficinas, que fosse um jardim para piquenique e para brincar, um lugar para vivenciar a arte e a cultura brasileira, para soltar pipa", explicou Lucas.

A diretora Angela Mascelani destacou que, desde 1976, a coleção do francês Jacques Van de Beuque valoriza a produção das camadas populares. "A gente sempre trabalhou com artistas, estudando trajetórias e tentando fazer com que o público e o próprio campo entendessem que, embora sejam artistas de camadas populares, esses artistas são autores, têm uma criação, um pensamento original e uma trajetória", contou. A exposição que marcou o início das atividades, com peças compradas por Jacques ao vir para o Brasil, passou primeiro pelo MAM do Rio de Janeiro, dando mais reconhecimento à mostra.

Para Angela, a arte popular não era valorizada como tal. "Havia uma perspectiva que não valorizava a produção feita pelas camadas populares como arte", avaliou. "A gente se dedica a contar a história desses artistas e acompanhar suas trajetórias da mesma forma que se faz com as artes hegemônicas." arte popular brasileira museus no Rio de Janeiro

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