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Celular impulsiona leitura digital no Brasil, mostra pesquisa

ResumoA pesquisa Nielsen BookData revela que o Brasil possui cerca de 94 milhões de leitores digitais. O celular é o principal dispositivo de acesso à leitura digital no país, com uso concentrado nas classes C, D e E. O aparelho supera computadores e tablets como ferramenta primária para consumo de conteúdo literário.

O Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais. Pesquisa da Nielsen BookData mostra que o celular é o principal dispositivo de acesso à leitura, com destaque para as classes C, D e E.

Natália Couto
Natália Couto Redatora de Comédia e Leve · 02 de setembro de 2026
Celular impulsiona leitura digital no Brasil, mostra pesquisa
8.7/10
VereditoO Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais. Pesquisa da Nielsen BookData mostra que o celular é o principal dispositivo de acesso à leitura, com destaque para as classes C, D e E.

O Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais. São pessoas que, nos últimos 12 meses, usaram celular, notebook ou aparelho de leitura para acessar notícias, livros, audiolivros, PDFs, quadrinhos e mangás. A constatação é da pesquisa Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, realizada pela Nielsen BookData, multinacional especializada no mercado editorial, e divulgada nesta quarta-feira (2).

O celular é o grande protagonista: 72% dos que leem livros eletrônicos ou ouvem audiolivros o fazem pelo smartphone, e 85% dos que leram outros tipos de texto também preferem a tela do telefone. A pesquisa ouviu 3 mil pessoas de todas as classes e regiões do país, entre 1º e 11 de junho.

Os leitores digitais são majoritariamente jovens adultos (18 a 44 anos), com 56% de presença feminina. Metade se declara branca; pardos (37%) e pretos (11%) somam quase a outra metade. As classes C (46%), D e E (18%) concentram 64% dos leitores digitais, enquanto a classe B tem 29% e a A, 7%.

A facilidade de acesso é o principal motivo para escolher o digital: 61% dos leitores de livros citaram esse fator, e 48% valorizam carregar vários títulos em um só aparelho. O preço mais baixo que o papel aparece em terceiro lugar. Outros 43% afirmam ler "muito mais" graças às oportunidades digitais.

Um retrato desse público é a técnica de enfermagem e cuidadora Maria das Neves de Araújo Alves, 60 anos, moradora de Valparaíso de Goiás. Nevinha, como é conhecida, passa ao menos três horas diárias em ônibus entre casa e trabalho, em Brasília, e usa o tempo para ler romances e livros de ação no celular. "Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo", contou à Agência Brasil. Ela escolheu uma plataforma gratuita que dispensa downloads, economizando dados móveis e espaço no aparelho. Para ela, o suporte eletrônico eliminou barreiras práticas: o livro físico seria "mais um peso" na bolsa, e não há biblioteca perto de onde mora.

O levantamento também aponta que 48,8% dos entrevistados consumiram livros e audiolivros gratuitos em sites não oficiais, enquanto 46,4% usaram plataformas institucionais como o MEC Livros. Quase metade (46%) nem sempre sabe se um livro digital gratuito é legal. Para Rodrigo Meinberg, executivo-chefe da Skeelo, que ajudou a viabilizar a pesquisa, as telas viraram aliadas na formação de leitores: "Talvez nunca antes na História tantas pessoas tenham falado sobre livros como agora". Já Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, vê a tecnologia como o canal que rompeu "as barreiras da exclusão física", citando o MEC Livros, que superou 1,1 milhão de usuários em menos de seis meses.

Os dados reforçam um movimento que já se desenhava: o celular, antes visto como vilão da atenção, agora aparece como ponte de acesso à cultura. A pesquisa indica que a leitura digital não substitui o papel, mas amplia o alcance, especialmente onde livrarias são raras. Para quem busca entretenimento leve e prático, os aplicativos de leitura no smartphone são uma porta de entrada que cabe no bolso e no trajeto diário.

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