Rock in Rio mantém foco em projetos socioambientais
Rock in Rio 2026 começou nesta sexta (4) na Cidade do Rock. Festival mantém foco socioambiental: R$ 118 milhões investidos, mais de 200 instituições apoiadas e meta de 2 milhões de pratos de comida contra a fome.
O Rock in Rio 2026 começou nesta sexta-feira (4), na Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. Além de shows de Elton John, Gilberto Gil, Foo Fighters, Ivete Sangalo, DJ Alok, Maroon 5, Black Eyed Peas, Nelly e Barão Vermelho, o festival reforça o que já faz há 41 anos: usar a visibilidade para defender causas sociais e ambientais. O propósito avançou principalmente a partir de 2001, com a criação do projeto Por Um Mundo Melhor.
Segundo a organização do festival, a atuação socioambiental acumula R$ 118 milhões investidos, mais de 200 instituições apoiadas e mais de 1 milhão de pessoas beneficiadas diretamente. Na área social, o combate à fome é prioridade de curto prazo. A parceria com a Ação da Cidadania dura 25 anos. Nesta edição, a meta é alcançar 2 milhões de pratos de comida. Para acompanhar as doações em tempo real, o gramado da Cidade do Rock ganhou o Pratômetro, painel que mostra o avanço até o último dia de shows.
A explicação para a estratégia vem da vice-presidente executiva da Rock World, Roberta Medina. Ela conta que o trabalho acontece em três escalas: curto, médio e longo prazos. No médio, a parceria histórica com a Gerando Falcões, que desenvolve o projeto Favela 3D. "É uma transformação lindíssima em favelas de pequena escala para melhorar a vida e trazer dignidade", disse. No longo prazo, entram as questões ambientais. As mudanças climáticas levaram o festival a criar ações como a Amazônia Live, que já foi realizada duas vezes, para conscientização e preservação da Floresta Amazônica. "Conversamos para fora e para dentro. Para fora, as iniciativas sociais; para dentro, os compromissos de como gerir resíduo, tratar da água e do consumo de energia", explicou Medina.
A edição também amplia acessibilidade e inclusão. O espaço para pessoas com deficiência cresce a cada ano, com sala de sensibilização sensorial para neurodivergentes. "Cada edição tem mais cadeirantes, mais pessoas com problema de visão ou de audição", observou. No combate à violência de gênero, o Espaço Plural traz conteúdos imersivos, e o Espaço Delas será um ponto de conexão entre mulheres. Para Medina, as iniciativas mostram que "respeito, cuidado e pertencimento também fazem parte do show".
O efeito no bolso e na percepção do assinante é direto: o ingresso comprado financia, na prática, uma estrutura que vai além do entretenimento. A tendência, para quem acompanha o mercado, é que o festival continue amarrando sua marca a causas de longo prazo, já que o impacto social virou parte do valor entregue ao público como o streaming usa causas sociais para reter assinantes.