# Rádio Nacional: 90 anos em sintonia com o Brasil

> A Rádio Nacional completa 90 anos em 2025 e tem sua trajetória celebrada no programa Caminhos da Reportagem. Emissora pública da EBC, a rádio marcou época com radionovelas e teve seu acervo tombado pelo Iphan, permanecendo no ar como referência da radiodifusão brasileira.

*Zipflix · Bastidores · 14 de setembro de 2026 · Rodrigo Bianchi*

A Rádio Nacional completa 90 anos e tem sua trajetória contada no Caminhos da Reportagem desta segunda (14). Do auge das radionovelas ao tombamento do acervo pelo Iphan, a emissora segue no ar como veículo público da EBC.

A Rádio Nacional completa 90 anos e sua trajetória é o tema do programa Caminhos da Reportagem nesta segunda-feira (14). O legado da emissora aparece na cultura e na programação do rádio e da televisão brasileira.

Hoje ela é um dos veículos públicos que formam a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com ondas que alcançam as regiões mais remotas do país levando informação, cultura, música, prestação de serviço e programação popular.

O que mudou nesses 90 anos, na prática, foi o lugar institucional da emissora. Ela nasceu privada, no Rio de Janeiro, e teve a estreia anunciada com alvoroço pelo Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936, publicação do mesmo grupo ao qual pertencia. Na década de 1940, o presidente Getúlio Vargas estatizou a Rádio Nacional, que passou a receber mais investimentos em transmissores e programação. Foi quando assumiu o posto de campeã de audiência, segundo registros do Ibope.

## Da radionovela ao tombamento

Aquele Brasil vivia o desenvolvimento industrial e a expansão das cidades, mas a maior parte da população ainda morava na zona rural e não sabia ler. O rádio foi o primeiro meio de comunicação de massa a falar com os brasileiros de forma mais abrangente, e a Nacional virou símbolo desse fenômeno.

"A Rádio Nacional já traz um desenho profissional diferente", explica a historiadora Lia Calabre. Segundo ela, a emissora foi pioneira ao selar contratos exclusivos, formar orquestra e elenco próprio. "O que a Nacional faz? Ela cria as suas vozes", afirma.

O acervo da EBC guarda as fichas dos antigos funcionários e nomes como Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Pixinguinha, Paulo Gracindo e Heron Domingues, apresentador do Repórter Esso. Também estão preservados seis dos nove volumes originais dos roteiros de Em busca da Felicidade, primeira radionovela transmitida no Brasil, no ar pela Nacional de 1941 a 1943. Por esse material, a EBC recebeu o certificado Memória do Mundo, da Unesco.

Os roteiros estão em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), com conclusão prevista até o fim do ano, segundo a gerente de acervo e pesquisa da EBC, Maria Carnevale. O passo seguinte será salvaguardar fotos, documentos e programas gravados. "A gente tem a perspectiva de que boa parte do acervo da Rádio Nacional seja tombado", afirma Carnevale.

## Sete emissoras e uma rede pública

A Nacional se desdobrou em sete emissoras principais: Rio de Janeiro (1936), Brasília AM (1958) e FM (1976), Amazônia (1977), Alto Solimões (2006), São Luís e São Paulo, ambas de 2021. Em 2007, com a criação da EBC, passou a ser veículo público, ampliando o compromisso com a cultura popular e a cidadania.

Para o diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, a história e a expansão da emissora contribuem para que ela seja um dos pilares do campo radiofônico no fomento à radiodifusão pública, com música brasileira e jornalismo amplo, independente e contraditório. O professor Marcelo Kischinhevsky, do Núcleo de Rádio e TV da UFRJ, destaca o papel da Nacional como articuladora da Rede Nacional de Comunicação Pública, que reúne mais de 140 emissoras públicas estaduais, universitárias ou ligadas a institutos federais, sem foco comercial.

A apresentadora Mara Régia comemora 45 anos no ar com o Viva Maria, sobre valorização do universo feminino e direitos das mulheres. Entre os feitos do programa, ela destaca as transmissões a partir da rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, que impulsionaram a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

Do outro lado da escuta, Hernandez Lopes, de 14 anos, mora em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e aprendeu a ouvir a Nacional com o pai, que herdou a preferência da mãe. Ele participa por telefone do Revista Rio: "Eu peço as músicas que eu gosto e nunca decepciona". Sobre a escuta compartilhada, diz que gosta "desse estilo antigo, aquele que acaba com a solidão".

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