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Escritora Nathacha Appanah é um dos destaques internacionais da Flip

Na 24ª edição da Festa Literária de Paraty (Flip), a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah se destacou com sua obra sobre violência doméstica. Acompanha sua jornada literária e reflexões sobre migração.

Priscila Tavares Nunes
Priscila Tavares Nunes Redatora de Lançamentos e Estreias · 25 de julho de 2026
Escritora Nathacha Appanah é um dos destaques internacionais da Flip
7.3/10
VereditoNa 24ª edição da Festa Literária de Paraty (Flip), a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah se destacou com sua obra sobre violência doméstica. Acompanha sua jornada literária e reflexões sobre migração.

Escritora Nathacha Appanah é um dos destaques internacionais da Flip

A Festa Literária de Paraty (Flip), na sua 24ª edição, escolheu ampliar a diversidade geográfica e cultural dos convidados, reunindo escritores de diferentes países e trajetórias. Um dos destaques é a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah, cuja obra mais recente narra os destinos de três mulheres submetidas à violência doméstica. A convidada participou de uma mesa do programa principal da Flip, nesta sexta-feira (24).

A obra de Nathacha Appanah

Com uma produção literária marcada pela investigação das violências íntimas e sociais, Nathacha Appanah define seu livro Noite no coração (Bazar do Tempo), traduzido e publicado em mais de 15 países, como uma tentativa de romper o silêncio. As personagens são inspiradas em histórias reais, sendo que uma delas é inclusive a própria autora, enquanto as outras duas foram assassinadas por seus companheiros.

Durante o evento, Nathacha comentou: "Tudo isso estava contido neste livro e que sobretudo havia nele a tentativa de uma escritora de colocar adiante a linguagem e sua própria condição".

A autora explicou que, ao iniciar a produção da obra, há mais de cinco anos, tinha consciência de que se tratava de um livro primeiramente sobre o tempo. "Eu tinha a impressão de que a única coisa que eu poderia fazer como objetivo literário seria contrair o tempo, fazer com que três mulheres que jamais se encontraram ou conheceram existissem no mesmo local, trazer essas três existências pra dentro do livro."

A influência das Ilhas Maurício

Nascida nas Ilhas Maurício, em uma família de imigrantes indianos que se radicou na França, Nathacha enfatizou como a ideia de deslocamento e migração marca sua vida e sua escrita. "O que eu aprendi antes dos deslocamentos, antes do que é deslocamento, é que nenhuma língua é superior às outras. Havia a língua do coração, da intimidade, da escola. Havia a língua que nós falamos com um vizinho específico, uma língua de sedução", disse.

"E todas essas línguas na minha casa, na minha vida, formavam uma espécie de existência. As Ilhas Maurício ficam muito longe de tudo, e nessa casa estranha - eu digo estranha, mas era muito bela - eu tinha a impressão de ter o mundo ao meu alcance", concluiu.

A escritora mencionou que morava com seus pais e avós, duas gerações que já apresentavam diferenças importantes entre elas e que marcaram sua vivência. "Meus avós eram pessoas que nasceram e viveram numa plantação de cana-de-açúcar na era colonial. Eles falavam uma língua indiana, que é minha língua materna".

"E, ao lado dos meus pais, que eram pessoas instruídas, que frequentavam a escola, que trabalhavam, eu tinha a impressão de viver como num fio que se estendia entre um passado que eu jamais havia conhecido, mas cujas histórias chegavam até mim porque minha avó contava muitas coisas, ela me falava em várias línguas. Por outro lado, havia meus pais que viviam numa modernidade voltada para o exterior, para fora", acrescentou.

Diálogos literários na Flip

Na mesma mesa, estava também a brasileira Bethânia Pires Amaro, que em Rossalga (Record) aborda o tema da violência de gênero, narrando a vida de três gerações de mulheres na Bahia. Para contar a vida de suas personagens, ela revelou que utiliza o realismo mágico como uma de suas ferramentas. "O realismo mágico acaba trazendo um olhar muito rico e muito particular que permite uma aproximação um pouco mais indireta. E que vai brincar um pouco também com essa imaginação do leitor, vai mostrar, por exemplo, essas mulheres não reduzidas àquelas violências, mas como seres que realmente estão florescendo", disse.

A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

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