Crítica · Análises e Críticas

Lavagem de Madeleine exalta cultura afro-brasileira em Paris

ResumoA Lavagem de Madeleine, evento criado por Roberto Chaves, exalta a cultura afro-brasileira em Paris entre 10 e 13 de setembro. A 25ª edição reúne cerca de 60 mil participantes na capital francesa. A celebração integra a Rota dos Escravizados da Unesco, promovendo o patrimônio e a memória da diáspora africana na Europa.

Cerca de 60 mil pessoas devem participar da 25ª Lavagem de Madeleine em Paris, entre 10 e 13 de setembro. O evento, criado por Roberto Chaves, exalta a cultura afro-brasileira na Europa e integra a Rota dos Escravizados da Unesco.

Beatriz Holanda
Beatriz Holanda Redatora de Doramas e Conteúdo Asiático · 03 de setembro de 2026
Lavagem de Madeleine exalta cultura afro-brasileira em Paris
7.6/10
VereditoCerca de 60 mil pessoas devem participar da 25ª Lavagem de Madeleine em Paris, entre 10 e 13 de setembro. O evento, criado por Roberto Chaves, exalta a cultura afro-brasileira na Europa e integra a Rota dos Escravizados da Unesco.

A 25ª edição da Lavagem de Madeleine, um dos maiores encontros da cultura afro-brasileira na Europa, deve reunir cerca de 60 mil pessoas em Paris entre os dias 10 e 13 de setembro. O evento, que começou em 1998, transforma a capital francesa em vitrine da cultura baiana e afro-brasileira.

Para quem acompanha de longe, a Lavagem de Madeleine é mais que um desfile. É a oportunidade de ver, em solo europeu, expressões como capoeira, maracatu, samba de roda e afoxé. A edição deste ano inclui cortejo com mais de 700 artistas, workshop de dança afro-brasileira e exposição fotográfica.

O criador do evento, Roberto Chaves, o Robertinho, é baiano de Santo Amaro da Purificação. Vive na França desde 1990 e idealizou a lavagem da escadaria da Igreja de la Madeleine inspirada na Lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador. A primeira edição ocorreu em 1998, na Basílica do Sacré-Cœur, durante a Copa do Mundo.

A Lavagem de Madeleine é Patrimônio Imaterial da França e integra o calendário oficial de Paris. Tem apoio da prefeitura local e da Secretaria de Turismo da Bahia, além de patrocínio da Embratur. O evento também faz parte da Rota dos Escravizados da Unesco, roteiro que conecta locais ligados à história da escravidão.

O ponto alto será o cortejo no dia 13, com concentração na Place de la République e chegada à Igreja de la Madeleine. Lá, baianas farão a lavagem simbólica das escadarias, em cerimônia marcada pelo diálogo entre tradições religiosas. A cantora lírica Lorena Pires, residente da Academia da Ópera Nacional de Paris, interpretará Ave-Maria para reforçar o sincretismo.

Este ano, Mariene de Castro e Robertinho comandam o trio elétrico, com participações de Jau, Gildaa e Lorena Pires. São 15 grupos folclóricos afros no desfile, além de alas de baianas e grupos de percussão.

Robertinho define o evento como um festival da cultura brasileira. "A Lavagem mostra que o Brasil tem culinária, tem cultura, capoeira, dança", disse. "Tem maracatu, samba de roda, afoxé, várias alas representando os estados brasileiros."

[A exposição Três Olhares abre a programação no dia 10 de setembro, na Embaixada do Brasil na França. Nos dias 11 e 12, há workshop de dança. Para quem planeja ir, vale checar a programação oficial. Se não puder comparecer, acompanhe as redes do evento para sentir um pouco da energia que toma Paris nesses dias. Quem gosta de cultura afro-brasileira pode se interessar também pela Lavagem do Bonfim, em Salvador, que inspirou a versão parisiense.]

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